Gosto de pintar o meu pai! Ele já pintou vários e belíssimos retratos meus - então agora, tento retribuir pintando retratos dele também. A pintura, e mais especificamente o retrato, acaba sendo um elo que nos une para além da ligação familiar e pessoal.
Sinto que nós nos comunicamos também pelos retratos. Ele me pinta, eu o pinto, e vamos dessa forma tecendo um diálogo silencioso com nossas imagens retratadas... seria bonito talvez ver um dia uma exposição dos nossos retratos - os que pintei dele e os que ele pintou de mim - pai e filha se comunicando por imagens, tintas e cores.
Nesse retrato que estou postando, eu quis retratá-lo exercendo o seu ofício de mais de 40 anos: pintando.
Pois é na frente da tela e com o pincel em punho que meu pai é mais completo: ali é o seu lugar, ali eu sei que ele está bem. É dali que vem sua força e sua serenidade. Lembro desde criança de reparar os olhos do meu pai quando ele está pintando: olhos rápidos e atentos que se movimentam entre o quadro e o motivo que ele pinta, um olhar concentrado e expressivo.
Tudo isso me levou a retratá-lo pintando: é bonito presenciar momentos nos quais a pessoa está plena, inteira no que faz. E pintar um desses momentos foi a forma que encontrei de prestar uma homenagem ao meu pai, aquele a quem eu devo a minha paixão por retratos, e com quem hoje, eu compartilho essa paixão.
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| Iara Ribeiro - O pintor (José Maria Ribeiro) - Acrílica sobre tela, 60 x 80 cm, 2010 |
| Iara Ribeiro - O pintor (José Maria Ribeiro) - detalhe - Acrílica sobre tela, 60 x 80 cm, 2010 |
| Iara Ribeiro - O pintor (José Maria Ribeiro) - detalhe - Acrílica sobre tela, 60 x 80 cm, 2010 |

Tenho o privilégio e a alegria de compartilhar a força deste elo e deste amor que os une na arte e na vida. E o resultado, são obras de arte de alto nível feitas pelos dois. Arte feita com consciência e com sentimento verdadeiro.
ResponderExcluirFatima